sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Lágrimas


O que são as lágrimas?
Como fica o vazio em meu coração?
Embriagando-me afogo mágoas e
lembranças de momentos especiais.
Hoje decepcionado me declaro,
na Honra não fale de mim.
Eu sei, o coió não sou eu.
Colinear seus olhos já não me extasia mais.
Demorando em acreditar que possa ser verdade.
Você já não me procura mais.
Colendo, me aproveito todo tempo do mundo.
O seu gajeiro sentirá a minha falta
Mirando um horizonte cinzento 
Com cheiro de amor partido.
Esse nosso momento pitoresco
Aprofunda-se a profligar o que há de bom.
Confusão e propensão
Fortes tendências 
A propina em grandes proporções suplicantes de devaneios 
E desvios clichês.
Depreciante aqui estou.
À deriva, deploravelmente, 
Detonado em dizer que me tranco em meu mundo
hermético,
Te impedindo de entrar novamente.
Imortal é o sentimento do homem
Já no escopo de sua virtuosa
Escravocracia exclusa 
A desalinhar o meu ser.
Suas palavras antiquadas
Não me adjungiam
Gabarolices tolas
Primordialmente eu existo!
E já nem sofro mais.
Seu tato agora é lembrança 
De uma escolha que não farei novamente.
Em meu lúgubre reluto o meu remanso.
Reinvento-me de novos focos.
Libertando novas escolhas.
Assim deixo lídimo o que eu digo.
Baseado em minha história grotesca 
Em tentar ser feliz.

João Henrique

Este poema foi recitado em voz alta para mim em uma casa vazia na madrugada fria do dia 07 de setembro. Entre uma conversa sobre livros, blogs e poemas, o poeta resolveu mostrar um de seus escritos para mim. Só nós que escrevemos temos a ideia da dimensão que isso tem, a de mostrar nossos escritos a outra pessoa.
A cada palavra proferida, percebia não somente um grande talento ali, mas um artista carismático e impressionante expondo parte de sua alma, afinal, tudo o que escrevemos traz um pouco (para não dizer muito) de nós. E não posso descrever em palavras o que senti ao ouvir, apenas senti. Remeteu a um pouco de Byron, misturado com Nick Traina, passando a Dominik de Sala Samobójców e inteiramente a ele mesmo.


"Você tem que voltar a escrever".

Este foi o conselho recebido. Por mim.
Se hoje estou aqui, de volta à blogosfera, é graças a este poeta, a esta pessoa que, além de ter salvo literalmente minha vida numa certa ocasião, tornou-se uma pessoa muito especial para mim. E com a sua permissão, tenho a honra de reabrir o Rivotril com Coca-Cola dividindo com vocês uns 30% do que foi aquela madrugada, nosso sarau poético particular. Quem sabe eu ainda não o convença de recitá-lo para todos? Ou crie um blog de poemas? 

A todos que permaneceram aqui, minha admiração e gratidão pela lealdade.




Mi F. Colmán
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"Enquanto eu estiver por aqui e me for possível, escrever continuará sendo a medicação mais forte e a terapia mais eficaz para a minha sobrevivência". Mi F. Colmán

Quem ri por último, Rivotril

Quem ri por último, Rivotril
Mais um Rivotril. O restinho dos ratos gritando somem. O restinho das pombas macabras somem. O restinho dos corvos somem. Todos para longe. Lá vai a mulher que assusta. Tati Bernardi.