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12/08/2015

Voltar atrás também é seguir adiante






















Não. Este não é um dos meus posts filosóficos sobre situações da vida. Mas de qualquer forma, tudo que lemos, compartilhamos experiências, acaba sendo uma forma de aprendizado. Se não para o outro, para nós mesmos.
Voltei atrás. Desisti.
Ontem foi Dia do Estudante e me dei ao luxo de procrastinar no Facebook o dia todo, literalmente. Aproveitei para relaxar e também observar.
E hoje, oficialmente, me desconecto do projeto BEDA.
Para quem não está me acompanhando, o BEDA é um projeto inspirado no VEDA, que consiste em fazer um post por dia no mês de agosto e foi criado pelo grupo do Facebook denominado Rotaroots - Blogueiros de Raiz.
Não. Não foi falta de inspiração. Inclusive tinha posts programados que abortei aqui.
Acabei percebendo que minha interação entre a blogosfera e o Facebook são totalmente opostas, para não dizer que é praticamente inexistente.
Não tenho intimidade com as meninas de lá e até hoje não entendo muito bem o porquê, pois me enturmo muito facilmente nos grupos literários do Face, tenho conhecido escritores incríveis e experientes que estão me dando dicas super legais. Mas neste caso, não sei mesmo o que acontece... E claro, não é culpa de ninguém ou o grupo não seria tão popular e ativo. Mas também não é culpa minha, ou em partes, não ter entendido alguma regra mas... Nenhuma visualização diferente vinda do Face? Sei não. Não deve ter "rolado química", sei lá... No hard feelings. Freud talvez explique, rsrsrs. Ou alguma blogueira amiga que faça parte de lá possa me esclarecer isso aí.
Pelas visualizações, o que vem do Face para cá são apenas as amigas e amigos de sempre que usam a fan page do Rivotril com Coca-Cola para se atualizarem e que os reconheço pelo território onde vivem. As mesmas pessoas que sempre vem do Face, fato.
Sem mimimi. Eu acho que mesmo deixando os links, meu blog não chamou a atenção das blogueiras de raiz para virem me visitar e conhecer o "meu" BEDA. Então ficou meio que sem sentido continuar. Muitos podem questionar porque eu não corri atrás. Gente... Se não estou tendo tempo sequer para visitar meus fiéis colegas, amigos e amigas de longa data daqui direito, vou abrir exceção a novos blogs agora? Não posso. Estou em condições apenas de retribuir visitas.
É, talvez o momento do meu blog não seja para um projeto dessa magnitude.
Talvez por eu não ser na realidade uma blogueira de raiz ou... Meu blog estar muito enraizado na blogosfera. rs.
São tantos "talvez" que vou entrar numa crise existencial daqui a pouco. #SóQueNão, hahahaha! Não rolou, não rolou. A vida é assim em tudo.
Eu nunca vejo uma desistência como um fracasso e sim, um novo olhar para uma determinada situação.
Deixo minha gratidão a todas as pessoas maravilhosas (mas que não são novas por aqui, ainda bem, o que prova que tenho amizades consistentes) que estiveram me acompanhando nos dias que topei o projeto e postei. Quero dizer sinceramente que vocês são os melhores!



























E sou grata também por ter conhecido este projeto que me tirou um tanto da procrastinação blogosférica que estava entrando e com certeza postarei mais do que apenas uma vez por semana como antes.
Quanto ao Blog Day, não sei o que farei por não estar mais no projeto delas. Mas podemos entre nós fazer uma festinha por aqui mesmo! É uma ideia!
Sei que estou lerda, mas PROMETO que passarei nos blogs de cada colega, amigo e amiga que mesmo com minha ausência aqui e ali, têm me dado total apoio e incentivo para continuar neste mundo tão rico chamado BLOGOSFERA.
Meu muito obrigada e voltando atrás, sigo adiante! 


Mi F. Colmán 

 

09/08/2015

O pai que nunca existiu


Acomodado desajeitadamente no braço do sofá e ignorando tudo ao seu redor, cabisbaixo, quase "enterrava" o rosto no smartphone enquanto digitava. A franja caindo no olho não podia ocultar o rosto inexpressivo.
- Parece muito ocupado. - observou Cláudio sentando-se no sofá ao lado, procurando, mesmo que achando em vão, uma proximidade.
A resposta que obteve foi uma leve e ligeira erguida de sobrancelhas.
O conflito de gerações era inegável e mesmo respeitando e sentindo que pudesse estar sendo inconveniente, não queria se dar por vencido.
- Achei que fosse almoçar na casa de seus pais hoje.
- Por quê? - foi a pergunta lacônica.
Encorajado a emendar a conversa, afinal, não era sempre que tinha essa abertura contra seu pior rival, o aparelho, ajeitou o corpo para a frente, para ficar ainda mais próximo e afirmou:
- Hoje é Dia dos Pais.
- E? - indagou com indiferença sem mover um músculo além dos dedos inquietos.
Claudio respirou fundo antes de prosseguir naquilo que considerava quase uma missão.
- E... - disse meio desconcertado. - E achei que fosse almoçar com seu pai hoje.
- Achou errado.
O silêncio de indiferença, agora tenso, tomara conta da sala.
- Vini...
Foi interrompido por um "shhh".
Percebendo que sua presença e principalmente sua conversa eram dispensáveis, Claudio levantou suspirando de cansaço e deu as costas, afastando-se e desistindo de tentar um diálogo. Foi quando teve os passos interrompidos pela voz atrás de si:
- Ele me ligou, me enviou mensagens pelo whats. Mas... Você sabe, aquele pai nunca existiu.
Comovido, virou-se e se deparou com a pessoa com a mesma atitude, sem ter mudado sequer o mínimo de sua posição no sofá. Os olhos vidrados na tela, a voz tão desprovida de expressão quanto o rosto.
- Um pai que não existiu, um filho que nunca existiu, um amor que nunca existiu. Tudo inexistente.
Pausa.
- Não há razões para dar razões à inexistência.
Com o semblante entristecido, Claudio avançou uns passos adiante e parou em frente ao garoto, pouco se importando se a atenção exclusiva não estivesse direcionada a ele.
- Eu só quero que saiba que... - dizia com a voz embargada de pesar. - Eu só quero que saiba que de forma alguma acho justo tudo o que fizeram com você, Vini.
O rapaz parou de digitar por um momento, mas não o encarou. Os olhos baixos caminhavam pelo chão, pelo carpete verde, parte dos móveis e tudo à sua volta que estivesse em um alcance máximo para que não precisasse erguê-los.
- Eu sei.
Poucos segundos, retornou à sua frenética digitação.
- Que bom que sabe. Só achei que pudesse passar um domingo do Dia dos Pais com seu pai, mas... Como bem falou, achei errado, para você ele não existe.
- Também não existo para ele. Nunca existi. Quem não aceita o verdadeiro de mim ou o ignora, presenteia com sua inexistência.
Claudio passou a mão no rosto, tenso. Nem sabia o que dizer.
Após um silêncio, desta vez um pouco mais sutil, enquanto digitava, ele comentou quase ensaiando um sorriso:
- Lembra quando eu acreditei que aquela dose de Rivotril me mataria?
- Por favor, nem me lembre disso! - foi mais uma súplica de pânico do que uma repreensão.
O sorriso quase ensaiado emergiu pela metade e ele continuou:
- Fui um idiota. - liberou um riso nervoso. - Idiota por ter acreditado tanto naquela dose quanto nas pessoas que acreditei que me amassem de verdade.
- Não foi idiota. Apenas uma pessoa sensível e incompreendida, que confiou cegamente na aceitação de pessoas que diziam e deveriam amá-lo exatamente como é. Você é especial Vini e merecia passar um Dia dos Pais digno, conversando com seu pai.
Liberando outro riso nervoso, ele jogou a franja para cima que quase no mesmo instante cobriu novamente seus olhos.
- Mas estou fazendo isso.
- Sério? - indagou surpreso. - É com ele que conversa tanto aí? - apontou o smartphone num movimento de cabeça. - Não sei o que dizer, se fico feliz por estar conseguindo
- Não consigo. Aí é que está! - levantou e encarou-o de frente. - Mas estou conversando com meu pai. Como diria minha querida amiga Larissa, ele só "encarnou" um pouco adiantado de mim. Feliz Dia dos Pais!
E com um beijo na testa, Vinícius surpreendeu o avô.


Trecho do livro Rivotril com Coca-Cola, autoria de Mi F. Colmán.


Você me telefonou hoje.
Lutando para achar as palavras certas.
O tempo pode mudar uma coisa ou outra.
O tempo mudou nossas vidas.
Mas sabe...poderia ter sido diferente, pai.

As palavras trazem uma doce memória.
Sentado numa árvore caída num barranco.
Ao meu lado, um homem distinto me encorajando
Dizendo que sou capaz.
Mas você sabe... Você não estava lá.

Você diz "Filho, vamos esquecer o passado.
Eu quero outra chance. Farei tudo certo"
Você implora por um recomeço.
Tentando construir uma ponte destruída.
Mas você sabe...
Você nunca a construi, pai.

Então eu me sento aqui à noite.
E escrevo até dormir.
E o tempo continua passando...

O tempo fez com que você finalmente percebesse,
Sua solidão e a sua culpa interior.
Você está buscando por algo que nunca teve.
Voltando agora e olhando para trás
E você sabe...
Eu não estou lá.

Você diz "Filho, vamos esquecer o passado.
Eu quero outra chance. Farei tudo certo"
Você implora por um recomeço.
Tentando construir uma ponte destruída.
Mas você sabe...
Você nunca a construiu, pai.

Você nunca a construiu, pai.
Você nunca a construiu, pai.
Você nunca a construiu, pai.
Você nunca a construiu, pai.



04/08/2015

Franz Kafka, a menina e a boneca



















Um ano antes de sua morte, o autor da famosa obra Metamorfose, Franz Kafka viveu uma experiência única.
Passeando pelo parque de Steglitz, na cidade de Berlim, encontrou uma menina chorando desconsolada por haver perdido sua boneca.
Kafka se ofereceu a ajudá-la a encontrar a boneca e combinou de encontrar-se com a menina no dia seguinte, no mesmo lugar.
Como não conseguiu encontrar a boneca, redigiu uma carta escrita "pela própria boneca" e a leu quando se reencontraram:

"Por favor, não chores. Viajei para conhecer o mundo. Vou te escrever sobre minhas aventuras..."

 
Este foi o início de várias cartas escritas que, segundo relatos, Kafka escrevia com a mesma dedicação com que escreveu suas obras.
Quando ele e a menina se encontravam, ele lia cuidadosamente todas as aventuras imaginárias da querida boneca. A menina se consolava.
Quando os encontros chegaram ao fim, Kafka lhe deu de presente uma boneca. Ela, obviamente, era diferente da boneca original. Uma carta anexo ao presente explicava: "Minhas viagens me transformaram..."
Muitos anos mais tarde, a garota já crescida, encontrou uma carta enfiada em uma abertura despercebida dentro da boneca. Em resumo, dizia:


 "Tudo o que você ama, eventualmente perderá, mas no final, o amor retornará de uma forma diferente".

Vi esta postagem no Facebook de um amigo ontem e resolvi compartilhar aqui no blog com vocês, pois não conhecia esta aventura de um dos meus autores favoritos, que li ainda na infância.
Comenta-se que esta história serviu de inspiração para o incrível filme O fabuloso mundo de Amélie Poulain.

Maiores detalhes e outras informações vocês encontrarão no _Dharmalog


Mi F. Colmán 

 

03/08/2015

BEDA - Vamos participar?


O BEDA é um projeto inspirado no VEDA (Vlog Every Day April) cujo significado é Blog Every Day August, ou seja, as blogueiras e blogueiros são convidados a publicar um post por dia durante todo o mês de agosto.
O motivo de ser no mês de agosto é por ser um mês importante para a blogosfera, dia 31 é o Blog Day.
Como eu, para variar, cheguei atrasada, estou começando o projeto a partir de hoje com este post.
O projeto é uma iniciativa do grupo Rotaroots - Blogueiros de raiz e para participar é preciso ler as regras no grupo e colocar a badge oficial do projeto em um lugar do seu blog que fique visível.
Eu, particularmente, colocarei uma das badges no final de cada post, para que os colegas, amigos e amigas saibam que o post faz parte do projeto.
Enfim... É um desafio e tanto para quem tem atualizado o blog uma vez por semana, praticamente. E por esta mesma razão que resolvi participar, se falhar, não tem problema, nada é obrigatório.
Eu creio que com este projeto as pessoas terão mais chances de conhecer melhor a proposta do Rivotril com Coca-Cola que não é só sobre os benditos códigos e suas polêmicas. Tenho muito mais a oferecer que um mero post de opinião pessoal.


Mi F. Colmán

I´m bleeding, quietly living I´m living, quietly bleeding - Dominik
 renata massa