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09/06/2015

Jesus Cristo e os LGBT´s



























Consternada.
É, consternada. Foi a palavra que encontrei para descrever um terço do que senti agora ao abrir meu Facebook. O dicionário diz que consternada quer dizer abatida, prostrada, muito triste. Percebi então, que consternada não reflete o mínimo do turbilhão de sentimentos que estão me atingindo no momento que digito este texto.
Para quem ainda não sabe sou cristã e não consigo mensurar como me sinto, não diante da imagem desta mulher transexual sendo crucificada, mas diante de coisas que li vindo da boca de pessoas que, como eu, se dizem cristãs. E o pior, cristãs protestantes.
Como podem ver na minha foto de autora, estou com um crucifixo no pescoço e não o tiro por nada. Certa vez, em visita a uma célula, uma senhora da Assembleia de Deus mandou (grande maioria infelizmente não pede, manda!) que eu tirasse "essa coisa" do meu pescoço porque o Nosso Cristo não era o Cristo morto dos Católicos e sim um Cristo vivo!
E como podem ver, não acatei a "ordem".
Sim, Cristo é um Cristo vivo e tenho absoluta certeza que Ele vive no coração de muitos cristãos católicos como Padre Fabio de Melo e Papa Francisco, os quais tenho profunda admiração. Isto apenas para citar alguns.
Vindo de família católica, eu sei o que a cruz significa e o quanto isso possa ter sido considerado um desrespeito a vocês, católicos, do mesmo modo que sentiram quando evangélicos que se dizem cristãos, quebraram suas imagens de culto em praça pública inúmeras vezes, na desculpa de estarem fazendo a vontade de Deus.
Portanto, este post não é direcionado aos evangélicos e sim, aos irmãos católicos, afinal, por que protestantes estariam interessados na imagem de uma transexual crucificada, se a cruz não significa absolutamente NADA para eles? O Cristo deles não vive na cruz, não é mesmo? Ele ressuscitou e está vivo! Tão vivo para observar tudo o que está sendo feito por aqui.
De boa? Um protestante de verdade, não deveria dar tanta importância e nem sentiria tanto ódio assim por ver o símbolo da cruz sendo "difamado". A não ser que queira se promover, aí é outra história né? Que infelizmente, ao menos no Facebook, é o que está acontecendo de forma horrenda, odiosa, repugnante.
Aos irmãos católicos, eu sei que para vocês Cristo também vive e se quiserem saber, eu tenho o maior orgulho de carregar este crucifixo no meu pescoço, falem o que quiserem, eu não me importo.
O que eu quero com esta postagem é apenas pedir um pouco de empatia e interpretação de texto. 
Para TODOS os cristãos, sem exceção, a cruz foi o maior sinal de dor de Nosso Senhor Jesus. Símbolo da intolerância para com Ele. A ideia que a comunidade LGBT teve foi exatamente esta, expressar o sentimento que sofrem diante de tantas atitudes (a maioria letal) de ódio contra eles, uma metáfora de que estão sendo crucificados a cada dia por aqueles que deviam acolhê-los com amor.
Eu sei, a imagem dói no coração. Mas a imagem de homossexuais, travestis e transexuais que aparecem mortxs, todos os dias, nos jornais e noticiários da tv, deveriam abalar tanto quanto esta imagem está abalando.

Cristãos, nós não queremos destruir a família brasileira. Não queremos diminuir sua fé. Não queremos provocar vocês. Nós só queremos que vocês sigam o que o seu Cristo ensinou. Nós só queremos que vocês olhem pra Viviany e sintam sua dor, sintam a dor de ser vista como errada pela sociedade o tempo inteiro. Viviany, seminua, exposta, sangrando, não é um ataque a vocês, é um pedido de socorro. Camila Ribeiro.

Para quem se interessar em conhecer a história da Viviany, a mulher trans crucificada, basta ler aqui no link.

Elxs pegaram pesado? Absolutamente. Não discordo e creio sim que a reflexão e indignação sejam muito válidas. Porém, devemos também deixar de olhar para nossos umbigos e conseguir enxergar além. Muitas vezes o sofrimento ultrapassa tudo e é preciso compreensão.
Um cantor protestante muito conhecido, abaixo dessa imagem escreveu: QUE CAIA FOGO DO CÉU!
Então que caia meu amigo, porque se cair, vai direto na tua cabeça. Ou tu acha que só LGBT´s que pecam?
Quem vos escreve já fez parte dos dois lados do ódio, tanto como autora como vítima. O ódio é um ato que deve ser totalmente repudiado. Ele é altamente destrutivo.
Não estou me escondendo atrás de um perfil falso, estou aqui, dando a cara a tapa em uma postagem que será publicada na fan page de meu Facebook pessoal e que, tenho certeza, grande parte do povo da igreja Protestante que frequento lê meus posts.
Mas eu não estou com medo.
É polêmico? 
Certamente que sim.
EU NÃO TENHO MEDO DE POLÊMICA!
Quer me insultar, quer invadir meu perfil do Google Plus como já fizeram por causa do simples post do Grabovoi, façam! Parece que alguns só nasceram para isto mesmo, esquecendo todos os ensinamentos que Jesus deixou.
Se em seus pontos de vista eles não têm a Cristo, então perdoe-os e AME-OS! (como a si mesmos, lembram disso?) 
Sirvam de exemplo. Evangelizem com amor! Pratiquem as Escrituras! 
Todo cristão (neste caso o católico) têm todo o direito de ficar horrorizado, indignado, magoado, mas a mágoa e indignação deve ser precedida do perdão.

E... Jesus mitou:


Repito, podem me insultar, apenas não moderarei comentários ofensivos porque faz parte da política do blog. Ou cuidado, talvez eu o faça não te poupando do papelão ridículo.
Fiquem todos com Deus. 
Amém.


Mi F. Colmán

08/03/2015

Descobrir-se e revelar-se mulher


Neste dia que foi separado para homenagear a mulher, não quero flores, bombons e adulações. Não que eu não goste de flores e bombons (as adulações, realmente dispenso), mas por ter consciência que o marco desse dia veio de uma data sangrenta, onde mulheres foram carbonizadas por protestar por justos salários.
Esclareço que não me contrario nem um pouco às que querem ser aduladas. Afinal, cada mulher pode (e deve) fazer o que quiser. Está mais que na hora de suas autoestimas gritarem por isso.
Hoje quero apenas dizer que por motivos pessoais, não consigo agir com felicidade diante das "fofas" homenagens, vendo a situação de minhas irmãs, infelizmente, ainda tão atual, que lutam para ter salários iguais pelo mesmo trabalho que colegas homens fazem. Cujo lugar de liderança é de uma diferença esmagadora. Irmãs que enfrentam além das desvantagens profissionais, uma jornada excessiva de trabalho porque a maioria do lado oposto não evoluiu junto (nem faz muita questão por motivos óbvios). Sofrem todo tipo de violência, seja dentro de casa ou por simplesmente precisar usar o transporte público. Sofrem todo tipo de abuso e assédio, entram em pânico quando precisam sair sozinhas altas horas na escuridão da noite. Tem seus corpos e roupas "confiscados" o tempo todo por todos. Precisam brigar para serem chamadas pelo seu nome social e entrarem no banheiro que lhes é de direito, pura e simplesmente porque o preconceito e a ignorância não permitem que sejam enxergadas como realmente são e por tantas outras coisas que ainda precisam ser modificadas.

Assim como nem tudo são rosas, nem tudo também são espinhos.
Temos grandes inspirações de mulheres poderosas na História, começando pela Bíblia, como a Rainha Ester, que com uma ousadia extrema para a época, intercedeu ao rei (correndo risco de morte) e salvou o seu povo.
E depois de Sua ressurreição, para quem Jesus escolheu aparecer primeiro? Não foi a um de seus apóstolos.
O que dizer de Inês de Castro? Conta a lenda que Rei Pedro retirou-a da tumba e fez a corte beijar suas mãos já putrefatas.
A Senhora Simpson? Que fez Duque de Windsor abrir mão de seu trono.
Quanto a Romeu e Julieta? Quem foi o primeiro a desesperar-se e fraquejar? Não foi a "histérica" Julieta e sim, Romeu. Obviamente que estamos tratando de ficção aqui, mas uma ficção escrita por um homem e, como autora, posso garantir, há muito de nós em cada linha que escrevemos.
A atual J.K Rowling que com seu talento conseguiu salvar-se da miséria com seu épico personagem Harry Potter e a própria Stephanie Meyer, uma "mera" dona de casa, tornou-se uma das mais famosas escritoras da atualidade com a saga Crepúsculo.
Há tantas mulheres além de suas épocas que se mostraram poderosas como Cleópatra, Marie Curie, Brigitte Bardot,  Frida Kahlo, Judith Butler, Lea T e uma lista infindável de guerreiras anônimas as quais todas nós com certeza temos uma para citar na ponta da língua.



O que quero dizer é que toda mulher tem valor e não é um ser limitado. 
Ser mulher não se trata de úteros, ovários, TPM, menstruar, poder ter filhos, poder criar filhos que não são seus, encarar duplas jornadas de trabalho e desvalorização social, inclusive a aquelas que optaram por ser donas de casa apenas. Ser mulher não se trata somente de encher o rosto de maquiagem, fazer dietas e tratar as imperfeições que só ela sente ter, escravizada por padrões inatingíveis.

















Ser mulher não se resume a futilidades as quais são acusadas, de não terem capacidade de ver além das aparências e estourar cartões de crédito dos "pobres" maridos, visto que grande parte delas nem precisa de um para sobreviver e vivem muito bem. 
Ser mulher não se resume em odiarem umas às outras e, quando acabam fazendo, muitas descobrem o poder da sororidade que as ensina a crescerem e lutarem juntas por um mundo mais digno para si, contrariando as expectativas e trazendo mudanças à cultura patriarcal.



















Ser mulher não se trata de aulas de Biologia que temos no Ensino Fundamental, Médio e na Faculdade.
Mulher não se resume ao biológico, aliás, mulher não deve nunca aceitar ser resumida.
Nascer mulher biologicamente falando pode ser encarado como um fardo para algumas, mas reconhecer-se livremente como uma, uma grande meta a ser alcançada para outras.
Reconhecer-se mulher...
Poder se olhar com dignidade e se ver como uma verdadeira e bela mulher, independente do que diz a oposição. 
Experimentar pela primeira vez um vestido (seja gótico, clássico, vintage, pin up) e sentir-se à vontade, feliz e digna de ver-se diante do espelho e sair por aí como... a MULHER que verdadeiramente é.
Nascer biologicamente mulher pode ser ótimo para quem sabe o que fazer com isso.
Simone de Beauvoir disse que não se nasce mulher, torna-se.
Discordo. Quem nasce mulher, independente de tudo, sabe que simplesmente o é. O que acontece é que algumas apenas levam um tempo para entender e se descobrirem. Ou criar coragem para ser o que realmente são.
E descobrir-se e revelar-se mulher é a parte mais mágica da vida de uma.


Amy Lee, minha primeira e principal inspiração feminina.

Minha subversiva homenagem ao Dia Internacional da Mulher. E a todas as mulheres, sem exceção, em especial às trans* tão negligenciadas e que compreendem melhor do que ninguém o que é descobrir e lutar por sua verdadeira essência feminina.

Eu sou humana e preciso ser amada, apenas como todo mundo é.


Nota: Kim Petras é a cantora transexual mais jovem do mundo da música. 


Mi F. Colmán



I´m bleeding, quietly living I´m living, quietly bleeding - Dominik
 renata massa