Mostrando postagens com marcador Depressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Depressão. Mostrar todas as postagens

03/02/2019

MEMÓRIAS PÓSTUMAS


Ninguém sabe o que é acordar todos os dias se sentindo uma pessoa inútil.
Ninguém sabe o que é acordar todos os dias e mentir pra você mesmo que “está tudo bem”.
Ninguém sabe o que é passar uma noite acordada estudando para uma prova, na qual você sabe que por mais que se esforce, você não conseguirá nem tirar a média.
Ninguém sabe o que é ter que aguentar as cobranças de notas ótimas, currículo impecável, vida social ótima.
Ninguém sabe o que é se esforçar para ser melhor, mas não conseguir.
Ninguém sabe o que é tentar todos os dias.
Eu realmente não aguento mais, não suporto mais, Eu sei que coisas lindas podem acontecer, mas não comigo! As coisas boas estão reservadas às pessoas perfeitas, eu sou cheia de defeitos e deficiências... sou cheia de lutas internas que não consigo ganhar.
A faculdade, a sociedade me levaram a isso. Eu me sinto sufocada no ambiente universitário, me sinto pressionada a todo momento, com medo e assustada. Me sinto incompetente por não conseguir ser melhor, por não conseguir ser boa o suficiente.
Quero pedir desculpas a todos que algum dia eu magoei, a todos que tentaram me ajudar. Não foi em vão.
Me desculpe mãe, por eu ser fraca e não conseguir suportar. Mas você também não se orgulharia da pessoa que eu estava me tornando. Uma pessoa insegura, medrosa, depressiva, frustrada.
Eu finalmente vou descansar.
“E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos” (Caio Fernando Abreu)
Isa

Isa não é um apelido fictício. Isa não é uma pessoa fictícia. Essa carta suicida quem dera fosse ficção. Ela me foi repassada por um de seus amigos há mais de um ano e há mais de um ano essa é a segunda vez que tive forças para ler e li apenas para digitar e publicar, porque ela ainda bate muito forte dentro de mim.
Conheci Isa num grupo de Magia Draconiana, nós duas éramos curiosas acerca dessa vertente. Ela, mais neófita do que eu (visto que não importa o quanto eu estude, sempre me considerarei uma eterna neófita, sempre há algo para aprender), sabia que eu lidava com a Magia do Caos e vinha no meu pv do whats sempre desesperada procurando por ajuda, procurando por um servidor que a pudesse ajudar com as provas da universidade, me pedindo para ajudá-la porque estava sem forças até mesmo para evocá-lo, energizá-lo, enfim... Era evidente que Isa não estava nada bem. Deixei claro que nunca tinha lidado com aquele servidor em especial, mas faria o possível para ajudá-la, ouvi durante madrugadas seguidas seu desespero por medo de “não atingir a média”, pelas exclusões e pressões que estava enfrentando.
Muitas vezes me vi em Isa. Isa não era nenhuma ignorante, era visível seu potencial.
Quem não era visível era ela.
Fizeram com que Isa se sentisse desse jeito, foram minando sua autoestima aos poucos por não possuir um dom muito útil de manipular e inflar egos de certos professores que parecem carecer disso.
Muitas e muitas vezes eu me vi como Isa, mas a magia, os Fraters e as sacerdotisas que conheço sempre me auxiliaram, me fazendo enxergar meu valor, por mais que o mesmo muitas vezes tenha sido arrancado de minhas próprias mãos. Isa poderia ter sido eu. Isa pode ser aquele (a) teu (tua) aluno (a) que nesse momento você ignora, Isa pode ser aquele (a) seu (a) filho (a) que você pressiona para ser o (a) melhor (visto que números não significam bosta nenhuma, muitas vezes “boas” notas não passam de pura memorização e não conhecimento desse sistema falho de avaliação), Isa pode ser o (a) seu (sua) colega que você exclui na hora de fazer trabalhos ou toma para si os méritos de seus trabalhos. Isa poderá ser você que acabou de entrar agora seja pelo SISU, PROUNI ou vestibular.
Isa ouviu muito que a meritocracia não existia, quando na real, foi é alvo dela por não ter as coisas boas reservadas que as “perfeitas” e “boas” têm como diz em sua carta. Isa tinha tudo para ter sim, “os mesmos méritos” de seus colegas, as pessoas “perfeitas” com as “melhores” notas, exceto apoio, proteção, oportunidades e privilégios destinados a poucos.
Isa poderia ter outros problemas? Óbvio que sim! Não seria mais um motivo para que tivesse algum olhar sensível, um único que fosse, para ser auxiliada com todos aqueles que conviviam com ela no seu dia-a-dia? Enfim... peço só que respeitem a memória de Isa, qualquer comentário desrespeitoso será devidamente excluído (minha moderação de comentários desapareceu, se algum (a) blogueiro (a) puder me ajudar com isso, agradeço).
Apenas desenterro essa carta para refletirmos, para lutarmos para não acabarmos como Isa e, acima de tudo, não sermos colaboradores para a existência de outras Isas.
Sermos esses últimos é não fazermos mais do que nossa obrigação. GRATA!

Paz, Luz e acima de tudo Consciência e Empatia, por favor.  

Millie Colmán


13/01/2019

COISAS BOAS DE 2019 PARA LEMBRAR EM 2020



“Conta as bênçãos, conta quantas são...” (lembrei desse hino evangélico agora, BERRO!)


E aí gente? Como foi a passagem de Ano Novo de vocês? A minha foi incrível com dois webamigos que deixaram de ser webamigos e agora são amigos presenciais que são a Samira Rousseng e seu noivo, o Guilherme, denominados por mim como Sami e Gui. 

Selfiezinha básica de quando eles acabaram de chegar após umas 17 horas de viagem porque eu sou a loka das selfies

Eu e Sami rolezando no país vizinho, as rainhas do deboche

Pois é gente, pessoas determinadas tendem a criar planos e executá-los assim que podem. Eu mesma, defini muitas coisas que pretendo fazer (uma delas é conhecer mais webamigos, inclusive o Zaqueu que infelizmente por motivos sérios não pode vir dessa vez), não somente para 2019, mas para a vida no geral. Muitas mudanças ocorreram e tal e muitas ainda ocorrerão.
Mas o que eu vim fazer aqui além de falar de 2019? Bem... falar de 2019! Trouxe um exercício mental interessante para quem desejar fazer (já estou fazendo porque sou dessas) e óbvio, ainda estamos em meados de janeiro, portanto, dá tempo de sobra para fazerem seus registros.
Muita gente conhece essa dinâmica do pote, certo? Acredito ter visto inclusive num blog que sigo (a dinâmica original lembro que mandava anotar uma coisa boa de cada dia) e como tenho ficado tempo demais no Facebook (inclusive, quem quiser me adicionar como webamiga ou apenas me seguir, ele é público, só acompanhar este link)... “Nossa, jura????” Muitos irão dizer visível é minha ausência no whatsapp e aqui na blogosfera hahahaha! É que a plataforma ali é dinâmica e não exige a dedicação de um blog nem o imediatismo do whats, contudo, uma das metas que tenho para 2019 é aparecer mais aqui, até porque, estou com uma motivação incrível, a fanpage Rivotril comCoca-Cola II deu uma guinada desde dezembro de 2018 pra cá que estou sem palavras com o tanto de seguidores para um blog que vamos combinar, andou literalmente parado. E as pessoas não apenas seguem, mas se envolvem, compartilham, é incrível. Estou adorando isso.
Bem... uma das minhas webamigas falou que o problema dessa dinâmica é a preguiça depois de catar e ler todos os papeizinhos... O que eu posso dizer? E tá errada? Como praticidade é meu segundo nome, tive uma ideia melhor, que tal colocar as coisas boas anotadas em um caderno? Tipo, um caderno de gratidão ou boas recordações.


Meu caderninho de gratidão, da Pucca, porque sou dessas capaz de comprar caderno para esse tipo de coisa e nunca pra faculdade, hahaha!

Outras pessoas sugeriram um pote para colocar as merdas que aconteceram, uma delas, um pouco mais revolts (e gente, tem nada de errado em ser ou estar revolts, acho digno inclusive) disse que não agradeceria nada de 2018, que foi um ano muito bosta (de fato). Olha, eu sou uma pessoa que teria acho que todos os motivos para afirmar isso, porque tomei muuuita, mas muuuita porrada em 2018, contudo, aconteceram coisas boas também. Aí vai do que a pessoa pretende focar. É uma decisão que não posso fazer por ninguém.

Uma outra pessoa sugeriu que o “pote de merdas” seria um exercício legal pra ver no que se pode melhorar. Não deixa de ser uma sugestão interessante também, porém, como tenho trabalhado bastante meu padrão vibracional e já tenho a forte tendência de sofrer altos e baixos, prefiro deixar os perrengues de lado. Não que eu queira ignorar os perrengues que acontecem ou não queira resolvê-los, mas existem coisas que não valem a pena nem relembrar! Melhor apagar de vez sabe? Como diria um amigo bruxo: “Tem gente que não vale nem o dinheiro da vela preta gasto na magia negra”, hahahahaha! Eu diria que tem coisas, tem gente, tem situações que não valem nossas energias gastas.
Gente, quem me conhece sabe que não faço nem um pouco o tipo good vibes gratidão, entretanto, sei que a gratidão aumenta o poder vibracional e isso colabora não só em rituais, magias, orações, mas afeta todo o nosso cotidiano que também vamos combinar, não tá nada fácil para o brasileiro. Eu decidi criar esse caderno sem seguir o padrão do exercício sugerido no pote, porque gente, tem dia que não estamos mesmo na vibe de agradecer, mas quando houver algo que considere significativo de recordar, vou pontuando e registrando sim.
Fica a dica, principalmente para quem está trabalhando ou pretende começar esse ano a trabalhar a Lei da Atração para 2019. Espero que todos possamos sobreviver a ele, porque infelizmente já soube de quem não conseguiu...

Muita força, paz e luz para todos os merecedores! Lembrem-se: na vida TUDO é magia! 


MILLIE COLMÁN

In Memorian de Jujuba (Júlia) que decidiu partir esse ano, queria poder ter te carregado no colo minha querida.

02/11/2018

Eu não queria falar sobre o dia de hoje



Olá gente! A pessoa “finada” aqui ressuscitou. Então... Não vai ser tão fácil assim vocês "se livrarem" de mim. Sem trocadilhos de mau gosto, sou um fantasma que vez em quando tem surgido e assombrado a blogosfera.
Na verdade, eu tenho tantas, mas tantas coisas para contar! Tantas realizações, conquistas, revelações, resenhas de séries e livros e também desabafos. É impressionante como aconteceu justamente o contrário do que eu imaginei que aconteceria ao entrar para a universidade. O meu gosto pela leitura e escrita despencaram consideravelmente nesses anos de vida acadêmica. Sabe aquilo que condenamos de tornar a leitura um fardo para as crianças? Bem... a universidade não tem sido diferente. Aliás, nada que é imposto e possui prazos pode ser prazeroso, não é mesmo? No entanto, me desculpem divagar, isso é assunto para outro post.
Vale ressaltar que surgiu em minha vida uma orientadora incrível que me trouxe "de volta à vida" ao mundo literário e até mesmo me incentivou a escrever sobre o assunto em meu TCC que, já estava "decidido" ser sobre Educação Inclusiva e Múltiplas Inteligências. E é graças a motivação que ela me deu que estou aqui, diante da tela, escrevendo novamente para vocês depois de um único post esse ano. Se gostam dos meus escritos, agradeçam à ela.
É... de fato. Estou postergando falar do dia de hoje não?
Hoje, 02 de novembro, aqui no Brasil, é um dia reservado para lembrar daqueles que partiram.
Muitas vezes afirmei que esse dia era como uma "comemoração" do fim da vida, mas na verdade, não há comprovações científicas se é realmente um fim ou um novo ciclo. Como diz o ditado "Ninguém nunca voltou para contar", rs. Eu sei que espiritualistas, como eu, discordam.
E esse pensamento espiritualista, apesar de nos trazer certo acalento, acredito que não amenize a dor de nossos lutos como alguns imaginam, afinal, separações, sejam de que modo for, são sem exceção, extremamente dolorosas.
Hoje é o dia de recordar meu avô que sempre foi a grande inspiração da minha vida, o qual carrego com honra seu sobrenome por opção e que o câncer o levou.
Um amigo que foi levado pelo mesmo motivo.
Três que desistiram da vida aqui na Terra e conseguiram.
Outro cheio de vida que morreu em um trágico acidente de carro...
Por mais que tenhamos consciência que a vida é um emaranhado de chegadas e partidas, nunca estamos preparados para as últimas. Aliás, morte, luto, separação são temas que evitamos abordar no dia a dia;
Evitamos porque tememos. Porque não queremos aceitar a ideia de que essas pessoas que estão agora conosco, abraçando, dançando, cantando, discutindo, brigando, bebendo, comendo, sorrindo podem não estar mais em presença amanhã e delas teremos apenas as lembranças.
É... eu não queria MESMO falar sobre o dia de hoje, talvez muitos de vocês tampouco queiram ler, ouvir, escrever ou pensar sobre isso.
Porém, como disse, é inevitável.
Deixo aqui o trecho da música Dark Paradise de uma de minhas cantoras preferidas e que reflete meu pensamento sobre como me sinto sobre os lutos que enfrento.

"And there's no remedy for memory your face
Is like a melody, it won't leave my head
Your soul is hunting me and telling me
That everything is fine
But I wish I was dead". Lana del Rey

(E não há remédio para memória, seu rosto
É como uma melodia, ele não vai sair da minha mente
Sua alma está me assombrando e me dizendo
Que tudo está bem
Mas eu queria estar morta).


Homenageiem seus mortos, ao seu modo. Mas o mais importante: estejam ao lado dos vivos, em especial daqueles que mais amam e que sintam que precisam de vocês. Esse é o meu pedido de Dia de Finados.

Millie Colmán


27/03/2018

Ingratidão. Como lidar?



Há um tempo que tenho guardado este post e acredito que este talvez, seja o momento mais propício em publicá-lo. É... Semana Santa, aquele momento que muitos cristãos católicos fazem reflexões sobre o perdão, mas a real é que a gente precisa ser honesto consigo mesmo: nem sempre é fácil perdoar. Ou ao menos não sentir mágoas, aquela tristeza por ter feito algo de bom para alguém e receber em troca a indiferença, grosseria ou até mesmo algo mais grave: aquele ser que quando mais precisou de ti e tu ajudou, praticamente ajudou a salvar a sua vida te apunhalar pelas costas, caluniar, tentar puxar teu tapete, te humilhar, enfim, te prejudicar de algum modo.
Eu, particularmente e, ciente de que não sou exclusividade, já tive que lidar bastante com a popular ingratidão. Sabe, você confiar, se doar para uma pessoa e depois ela fazer de tudo para te prejudicar? Admito, senti ódio (sinto de alguns ainda, não sou nada good vibes). Admito, não sou uma pessoa do tipo perdoadora (nem mesmo quando professava a fé cristã) e logo depois da ira, me vem uma tristeza muito grande, uma ferida difícil de cicatrizar.
No entanto, refletindo sobre os fatos e parando para pensar exatamente acerca desse tema me veio a pergunta: “Por que nos importamos tanto com a ingratidão?” Eu mesmo me vi perguntando o porquê eu senti tanto se, naquele momento de desespero que dei o máximo de mim para ajudar aquelas pessoas, não consegui pensar em nada além de... ajudá-las, tentar resgatá-las.
E o fato de terem aceito, talvez já tenha sido um bom ato da parte delas, mesmo que egoísta. Porque meus caros, há gente que pode estar na merda, mas é tão orgulhosa que não aceita ajuda de ninguém. Ou seja, se ela aceitou e retribuiu da pior forma, aí é com ela, para nós se torna, ou pelo menos deve se tornar, irrelevante. Porque na MINHA consciência, o apoio, a ajuda devem ser atos genuínos. Apoiar pessoas que nos eram caras em seus momentos de dor, desespero, não deve ser uma permuta. É claro que não há nada mais confortante do que uma pessoa grata, contudo, não é algo que tenhamos autoridade para impor. Não devemos ajudar as pessoas criando expectativas, pensando em como elas agirão depois quando estiverem bem. Devemos pensar que fizemos aquilo que acreditávamos ser o correto e não há nada mais gratificante do que isso: Sermos nós mesmos, em nossa mais pura essência.
Óbvio que não estou me referindo a qualquer tipo de relação abusiva (sim, há amizades extremamente abusivas), desses seres (nada) humanos devemos nos afastar completamente e, se não der para evitar o convívio, procurar manter o máximo de distância possível.
Não estou aqui pregando para se doarem e se doarem e aceitarem a ingratidão como algo absolutamente normal e se tornarem verdadeiros capachos de manipuladores. Esses daí, devemos colocar em seus devidos lugares que seja bem longe de nossas vidas.
Só estou dizendo que não deem, por favor, o poder a essa gente de matar a empatia que existe em vocês. Sempre haverá alguém que saberá, não retribuir, mas ser luz para ti independente do que tenha feito e com a qual poderá contar, afinal, a vida é uma constante Lei do Retorno e ciclos das voltas que o mundo dá, demorados ou não.
E, meus caros, estejam certos, só pessoas que são luz é que tiveram que provar do gosto amargo da ingratidão em suas vidas. 

Mi F. Colmán


Não posso sair daqui sem antes agradecer o carinho de sempre da linda amiga Chica, a Marina e o Toninho que além de me apoiarem e me desejarem tudo de melhor neste 2018, quero que saibam que os desejos são recíprocos e que pode não parecer, mas lhes tenho eterna gratidão por estarem sempre aqui por mim.




07/11/2017

Nova Era Rivotril com Coca-Cola + Setembro Amarelo + Outubro Bruxo + Meu Retorno - Um olhar sincero sobre mim


Quando eu era do Cristianismo (hoje sou do Paganismo, mas isso é assunto para outro post), líderes espirituais diziam que voltávamos aos seus templos pelo amor ou pela dor. Como este espaço sempre foi meu templo particular desde a época da Coluna da Mi (antigos seguidores lembrarão) digamos que ambos, amor e dor, me trouxeram aqui de volta.
Há muito venho cogitando esse retorno, mas inúmeras forças contrárias têm adiado essa volta. But not today, Satan. Not today... rs.
Eu queria muito ter falado sobre o Setembro Amarelo, no entanto, eu passei todo esse mês me afundando em crises profundas, aliado a traições de confiança, hipocrisia, bullying e outras perversidades. Gostaria de ter dividido meu Outubro Bruxo com vocês, porém, tal como setembro, não foi um dos melhores meses, mas agora estou aqui, nesta madrugada, digitando novamente para vocês e é um deja vú incrível!
O amor... Ah, ele veio de tantas partes do Brasil que sequer pisei, em mensagens no Facebook e curtidas e curtidas seguidas em minha página. A fan page de um blog que já considerava praticamente morto. Veio também através de uma antiga colega de blogosfera, que leu um post que escrevi sobre psicofobia e transtornos psicológicos e / ou psiquiátricos relatados por trás dos portões e portas de universidades. “Você ainda tem blog? Por que não escreve sobre isso?” Sem contar que toda vez que me dirijo a alguma pessoa que pouco converso no Facebook a primeira coisa que dizem é: “Adoro teus posts!” ou “Tenho um crush de amizade desde que vi o teu perfil”. E é uma coisa tão doida para quem escreve, porque o Facebook é tão, mas tão limitado! Nem tudo é dor, há muito humor também e sinto-me muito bem quando vejo que tenho a capacidade de fazer alguém rir ou pelo menos, sorrir.
Mas a dor... Se existe uma pessoa que sempre defecou para a sociedade, essa pessoa fui eu. Quase mataram a minha essência, mas por um fio, não permiti e não permitirei. Palavras, traições, deboches, ofensas... O que é isso diante de tanta coisa? Não é qualquer um que volta de um coma após uma overdose cujos médicos consideraram letal e aos trancos tem seguido a vida. Não é qualquer um que consegue ter coragem de mostrar quem realmente é, com suas lágrimas e cicatrizes, sem se esconder atrás de um ego fake se matando em busca da aprovação dos outros. Chega de silêncio. Há muitos como eu por aí e já ficamos calados tempo demais. 


Exposição? Quem não se expõe atualmente? Isso tudo tá cada dia mais Black Mirror. Foda-se! Antes expor uma realidade do que algo que não se é! Você será criticado de qualquer jeito. Ao menos quem me acompanha sabe que sou um ser autêntico, divido tanto alegrias quanto mazelas, sem hesitar, debaixo de muitos comentários maldosos de “mimimi”, “frescura”, “falta de força de vontade” “chamar atenção”, blábláblá whiskas sachê. E a partir de agora, se conseguir, serei pior! Há muitas revelações a serem feitas. Aqui será mais um canal, um canal muito especial, ao qual bradarei com toda minha voz. Sejam dores, denúncias, alegrias, temores...
Esta é a Nova Era de Rivotril com Coca-Cola. Meu templo é aqui e foi minuciosamente repaginado para receber quem estiver disposto a me ouvir (ler). Está muito mais a minha cara do que o anterior. Um verdadeiro olhar de mim para mim! 


Sobre posts passados, não mexerei em um sequer. Por mais mal escritos ou banais que possam parecer atualmente, são meus. Fizeram parte de momentos que talvez hoje não façam o menor sentido, mas são reais e estão aí. Admito que muita coisa mudou, várias opiniões foram transformadas, mas como escrevi hoje mesmo na minha timeline: “Coerência não é manter somente a mesma opinião, mas sim, ouvir, se disponibilizar a rever outros ângulos, repensar e voltar atrás em uma reflexão que considerava certa, reconhecendo que não, se preciso for. Isso sim é coerência.
Estou escrevendo agora meio dopada e em crise, não, não estou bem e estou cagando por falar abertamente assim, não devo desculpas nem satisfações a ninguém. Posso não estar bem, mas por aqui vou ficar, enquanto eu e a vida nos permitirmos. Eu precisava, precisava muito escrever. 

Mi F. Colmán


PS: Um agradecimento muito especial à Clara Lúcia do blog Simples e Clara, a moça que escreve contos maravilhosos e que foi o Ás do meu retorno. Obrigado de coração, Clara.


12/11/2016

Sobre mim...


Contrariando quase todos não sou o tipo de pessoa que tem a necessidade de ficar simulando fortaleza e irredutibilidade só no intuito de me preocupar com o que poderão pensar. 
Eu realmente desabo quando preciso e não estou nem aí. Podem pensar que é drama, vitimismo, o caralho. Não vejo honra nenhuma na mentira só para provar aos outros estar bem. Danem-se os outros! 
Se precisar gritar, eu grito. Se precisar chorar, eu choro. Nada como a liberdade de não precisar reprimir nada ao invés de viver um triste e paralelo mundo oculto. A autenticidade não tem preço, tem valor. 

Mi F. Colmán

09/08/2015

O pai que nunca existiu


Acomodado desajeitadamente no braço do sofá e ignorando tudo ao seu redor, cabisbaixo, quase "enterrava" o rosto no smartphone enquanto digitava. A franja caindo no olho não podia ocultar o rosto inexpressivo.
- Parece muito ocupado. - observou Cláudio sentando-se no sofá ao lado, procurando, mesmo que achando em vão, uma proximidade.
A resposta que obteve foi uma leve e ligeira erguida de sobrancelhas.
O conflito de gerações era inegável e mesmo respeitando e sentindo que pudesse estar sendo inconveniente, não queria se dar por vencido.
- Achei que fosse almoçar na casa de seus pais hoje.
- Por quê? - foi a pergunta lacônica.
Encorajado a emendar a conversa, afinal, não era sempre que tinha essa abertura contra seu pior rival, o aparelho, ajeitou o corpo para a frente, para ficar ainda mais próximo e afirmou:
- Hoje é Dia dos Pais.
- E? - indagou com indiferença sem mover um músculo além dos dedos inquietos.
Claudio respirou fundo antes de prosseguir naquilo que considerava quase uma missão.
- E... - disse meio desconcertado. - E achei que fosse almoçar com seu pai hoje.
- Achou errado.
O silêncio de indiferença, agora tenso, tomara conta da sala.
- Vini...
Foi interrompido por um "shhh".
Percebendo que sua presença e principalmente sua conversa eram dispensáveis, Claudio levantou suspirando de cansaço e deu as costas, afastando-se e desistindo de tentar um diálogo. Foi quando teve os passos interrompidos pela voz atrás de si:
- Ele me ligou, me enviou mensagens pelo whats. Mas... Você sabe, aquele pai nunca existiu.
Comovido, virou-se e se deparou com a pessoa com a mesma atitude, sem ter mudado sequer o mínimo de sua posição no sofá. Os olhos vidrados na tela, a voz tão desprovida de expressão quanto o rosto.
- Um pai que não existiu, um filho que nunca existiu, um amor que nunca existiu. Tudo inexistente.
Pausa.
- Não há razões para dar razões à inexistência.
Com o semblante entristecido, Claudio avançou uns passos adiante e parou em frente ao garoto, pouco se importando se a atenção exclusiva não estivesse direcionada a ele.
- Eu só quero que saiba que... - dizia com a voz embargada de pesar. - Eu só quero que saiba que de forma alguma acho justo tudo o que fizeram com você, Vini.
O rapaz parou de digitar por um momento, mas não o encarou. Os olhos baixos caminhavam pelo chão, pelo carpete verde, parte dos móveis e tudo à sua volta que estivesse em um alcance máximo para que não precisasse erguê-los.
- Eu sei.
Poucos segundos, retornou à sua frenética digitação.
- Que bom que sabe. Só achei que pudesse passar um domingo do Dia dos Pais com seu pai, mas... Como bem falou, achei errado, para você ele não existe.
- Também não existo para ele. Nunca existi. Quem não aceita o verdadeiro de mim ou o ignora, presenteia com sua inexistência.
Claudio passou a mão no rosto, tenso. Nem sabia o que dizer.
Após um silêncio, desta vez um pouco mais sutil, enquanto digitava, ele comentou quase ensaiando um sorriso:
- Lembra quando eu acreditei que aquela dose de Rivotril me mataria?
- Por favor, nem me lembre disso! - foi mais uma súplica de pânico do que uma repreensão.
O sorriso quase ensaiado emergiu pela metade e ele continuou:
- Fui um idiota. - liberou um riso nervoso. - Idiota por ter acreditado tanto naquela dose quanto nas pessoas que acreditei que me amassem de verdade.
- Não foi idiota. Apenas uma pessoa sensível e incompreendida, que confiou cegamente na aceitação de pessoas que diziam e deveriam amá-lo exatamente como é. Você é especial Vini e merecia passar um Dia dos Pais digno, conversando com seu pai.
Liberando outro riso nervoso, ele jogou a franja para cima que quase no mesmo instante cobriu novamente seus olhos.
- Mas estou fazendo isso.
- Sério? - indagou surpreso. - É com ele que conversa tanto aí? - apontou o smartphone num movimento de cabeça. - Não sei o que dizer, se fico feliz por estar conseguindo
- Não consigo. Aí é que está! - levantou e encarou-o de frente. - Mas estou conversando com meu pai. Como diria minha querida amiga Larissa, ele só "encarnou" um pouco adiantado de mim. Feliz Dia dos Pais!
E com um beijo na testa, Vinícius surpreendeu o avô.


Trecho do livro Rivotril com Coca-Cola, autoria de Mi F. Colmán.


Você me telefonou hoje.
Lutando para achar as palavras certas.
O tempo pode mudar uma coisa ou outra.
O tempo mudou nossas vidas.
Mas sabe...poderia ter sido diferente, pai.

As palavras trazem uma doce memória.
Sentado numa árvore caída num barranco.
Ao meu lado, um homem distinto me encorajando
Dizendo que sou capaz.
Mas você sabe... Você não estava lá.

Você diz "Filho, vamos esquecer o passado.
Eu quero outra chance. Farei tudo certo"
Você implora por um recomeço.
Tentando construir uma ponte destruída.
Mas você sabe...
Você nunca a construi, pai.

Então eu me sento aqui à noite.
E escrevo até dormir.
E o tempo continua passando...

O tempo fez com que você finalmente percebesse,
Sua solidão e a sua culpa interior.
Você está buscando por algo que nunca teve.
Voltando agora e olhando para trás
E você sabe...
Eu não estou lá.

Você diz "Filho, vamos esquecer o passado.
Eu quero outra chance. Farei tudo certo"
Você implora por um recomeço.
Tentando construir uma ponte destruída.
Mas você sabe...
Você nunca a construiu, pai.

Você nunca a construiu, pai.
Você nunca a construiu, pai.
Você nunca a construiu, pai.
Você nunca a construiu, pai.



04/07/2015

Sem despedidas - O último pedido
















Com as mãos trêmulas, Cristina percebia que chegava ao fim seu último cigarro. Sentada no chão do quarto, o longo cabelo desalinhado que não via um chuveiro havia dias, procurava uma posição confortável recostada na madeira da lateral da cama. Os pés descalços estavam anestesiados e não sentiam o frio do piso gelado. No corpo, além das roupas curtas de cores escuras, as marcas das lâminas sangrando e que ficariam marcadas na pele para sempre. Como tantas outras marcas de acontecimentos trágicos e cruéis de sua vida.
Ao redor, o caos de um quarto desarrumado, que não era limpo há semanas as quais perdera a conta, a cama desarrumada... Já nada importava. Uma taça, garrafas de vodka sabor framboesa e diversas cartelas de remédios de tarja preta e vermelha.
Havia também uma taça de vinho, fechada. Não parecia interessante. Bebia a vodka no gargalo, a taça e a garrafa de vinho serviam apenas como distração, a qual ela brincava girando com um dos pés, com uma vontade imensa de afundar a pele e estilhaçá-la junto ao objeto cortante.



"Eu gostaria de escrever tão bem (ou tão pessimamente mal) quanto os autores de livros de autoajuda como O Segredo conseguem escrever e vender milhares de exemplares. Só para dizer às pessoas que os problemas não existem.
Mas eles existem, lamento informar.
Lamento informar a mim mesma". - digitou um pouco antes estas palavras em seu computador.



Os fogos do lado de fora iluminavam a sua janela com seu brilho colorido anunciando o aniversário fake de Jesus. Aquele ano não teve festa, só uma reunião entre familiares (o qual não comparecera, sempre odiara fazer aniversário na véspera de Natal), não teve árvore de Natal e nem apreciou as luzes das casas como gostava de fazer. Que sentido teria fazer isso agora?

"Toda minha família está afoita com meu aniversário e o Natal, enquanto me remoo em solidão. O que é solidão, afinal? Solidão é estar rodeada de pessoas queridas e ainda assim, sentir-se só. Solidão é este estado de espírito clichê, um algoz".

Lembrou-se novamente dos livros de autoajuda e concluiu que só havia um jeito dos problemas deixarem de existir.
Não queria suspense, não queria drama. Queria tudo muito rápido, embora soubesse que não seria tão rápido assim como se tivesse uma arma. As lágrimas silenciosas rolavam enquanto esmigalhava uma parte do coquetel de uma letal combinação de comprimidos dentro de uma das garrafas de vodka.
Morbidez sabor framboesa...



"Se pudesse deixar uma mensagem a todos seria: não tenham medo de ser vocês mesmos, mas agora tudo o que eu disser soará hipócrita".

Limpou as lágrimas que insistiam em rolar copiosamente com as costas das mãos, levando a garrafa aos lábios carnudos.

"Nunca fui normal. Nunca me adaptei aos padrões do mundo. Eu tentei. Deus sabe o quanto eu tentei até a última gota. Mas sempre chega a gota d'água e ela se chama Hoje".

As lágrimas persistiam...

"Como dói meu coração, como dói tudo o que perdi de viver, do que ficou para ser vivido. Como dói ter sido omissa e como dói ter sido sincera.
Já falei mentiras e me arrependi profundamente.
Mas também me arrependi das verdades que ousei proferir.
Em ambas situações há punição. As pessoas simplesmente não querem saber e não importa o que você faça, elas nunca irão se importar. Porque cada um só se preocupa com sua própria vida, seu próprio umbigo, seu centro do mundo".



Sentindo a vertigem, mordeu os lábios e prosseguiu, agora esforçando-se para engolir alguns dos comprimidos soltos.

"Eu me perdi de todos, mas cometi o pior pecado, que foi o de perder-me de mim.
Sou apenas uma tempestade. 

Acho que sempre fui e agora, esta tempestade precisa desaguar".

Suas forças já se esvaíam, mas precisava terminar o que começou. Basta de deixar coisas inacabadas.

"Nada como a noite de Natal, que sempre me trouxe as melhores lembranças, para ir ao lugar onde preciso estar. E quanto ao meu aniversário, ninguém saberá qual foi o último pedido que fiz mesmo sem soprar as velas.
Boa noite.
Feliz Natal!
E parabéns para mim".




Não foram as garrafas de vodka, nem mesmo os comprimidos de tarja preta e vermelha que mataram Cristina.
O que matou Cristina foram as boas lembranças que não mais voltariam. O que matou Cristina foi a insensibilidade e crueldade do abandono por falta de compreensão. O que matou Cristina foi a saudade.


Mi F. Colmán



Está clareando lá fora
Ela ainda está ali, mas ninguém se importa
Eles cantaram Feliz Aniversário ontem
Sem ela

Você quer ver a si mesmo voando através da noite?

Este é o presente que você precisa
Você vai ficar bem
Feche os olhos e caia

A primeira vez dela no limite
As cicatrizes ficarão para sempre
Lado a lado com a morte
Um momento que se sente melhor

Escuridão e luz, estão cegando sua visão
Ela não voltará...

Está clareando lá fora
Ela não consegue dormir
Porque o tempo continua
As mãos de alguém a tocam
Ela não sente desejo algum
Cada vez que isso a machuca
Ela só se sente tão só
Para ela nada importa
Suas memórias se foram
Feche os olhos e cai

E chegando perto do limite
As cicatrizes permanecerão para sempre
Lado a lado com a morte
Esse momento parece até melhor que qualquer outro

Escuridão e luz, estão cegando sua visão
Ela não está voltando...

Ela fecha a porta, quer mais e mais... e mais
Ela fecha a porta
Ela quer mais e mais... e mais.
Só uma vez mais...
Um pouco mais...

Todos estão olhando seus braços
Estão tão doloridos
Mas para ela nada mais importa

E caindo do topo
As cicatrizes estarão ali para sempre
Lado a lado com a morte
Esse momento parece melhor que qualquer outro

Escuridão e luz, estão cegando sua visão
Ela não está voltando...
Não vai voltar

O céu está caindo
O seu último pedido
Continua sem ser dito...

Minha participação na BC com o tema Saudade organizada pela Ana Paula do blog Lado de Fora do Coração em parceira com a Tina Bau Couto do Meu Blog e Eu.


I´m bleeding, quietly living I´m living, quietly bleeding - Dominik
 renata massa