sábado, 17 de outubro de 2015

Sobre legados e ser alguém na vida

























Às portas do ENEM e navegando pelo Facebook vemos diversas coisas, desde a ansiedade exacerbada dos estudantes quanto frases motivacionais contra desistências. E tudo isso me fez pensar a respeito da velha história do antes de morrer ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore, acredito que não necessariamente nesta sequência. E a necessidade do ser humano de "ser alguém na vida" e deixar um legado.
Um colega do cursinho, que está super pressionado e nervoso, estes dias me falou, com ar de crítica, por não parecer tão encanada quanto ele: 

"É Mi, uma prova básica né? Só depende o... teu futuro!" #MusiquinhaDoPsicose

Dei uma risada sem graça ao invés de soltar meu verdadeiro pensamento, no perigo do cara ter uma síncope:

"É sério isso?"





















É sério isso? 


















Sim, é sério. É muuuito sério! As pessoas acreditam e querem nos fazer acreditar que sim. Que nosso futuro se resuma a um exame e como se a próxima chance de fazê-lo será, sei lá, na próxima Superlua com um eclipse.


Como boa aluna que fui nunca perdi o ano, portanto, não sei qual a sensação de reprovar (certamente saberei agora, hahahaha!), no entanto, como ser humano, já tive inúmeras perdas e em nenhuma delas lidei como se tivessem o poder de arruinar a minha vida. 
Acreditar em recomeços, não acreditar que exista tempo perdido porque tudo é válido como aprendizado e seguir adiante não é romantismo, é simplesmente não permitir o rótulo e o sentimento da palavra fracasso.

"Eu não fracassei, apenas encontrei 10.000 soluções que não deram certo". Thomas Edison à respeito do aperfeiçoamento da lâmpada elétrica.


É nessa vibe que tenho procurado viver, em tudo. Não somente em algum exame, mas em todos os desafios que a vida me coloca frente a frente. Eu simplesmente me permito errar, me permito falhar e não encaro estas experiências como fracassos. Jamais o farei. Se não estou seguindo o ritmo da grande maioria, reconheço que não sou a grande maioria e isso, de verdade, não me incomoda. Aceitar que posso ser diferente me dói menos.















A real é que minhas prioridades são e sempre foram outras. Claro que almejo uma vida confortável e um bom cargo, quem nunca? Porém, não será isso que me definirá como "alguém na vida". 
Alguém na vida eu fui, sou e serei.
Sou alguém na vida cada vez que tenho a capacidade de oferecer uma palavra de consolo, um abraço a alguém em um momento de luto, uma atitude nobre em determinada ocasião. 
Sou alguém na vida quando consigo superar ou contornar uma situação difícil, quando ultrapasso o que até então acreditava serem minhas limitações. 
Sou alguém na vida quando dou exemplo de tolerância, respeito ao próximo e não firo meus valores éticos e morais. 
Sou alguém na vida quando mesmo doente ou deprimida, consigo arrancar o sorriso de outra pessoa. E não é pieguice não! É a vida de verdade. Por este motivo, escolherei uma profissão em que possa ser alguém na vida de alguém. Eis a única certeza que trago comigo. 
Legados? Confesso que nunca plantei uma árvore e se acontecer o livro e o filho, estejam certos que farei o possível para que ambos possam levar adiante os princípios que eu acredito. Do contrário, minha existência aqui na Terra terá sido vã.
Certa vez assisti a um desses vídeos de autoajuda que trouxe à tona o questionamento: "Você já parou para pensar como será lembrado?" 
Eu não preciso planejar grandes coisas, fazer grandes feitos para ser lembrada pelo mundo todo. Prefiro ser lembrada e admirada pelas pessoas que realmente me amam e se importam comigo. Portanto, não preciso esperar a morte para que isso aconteça.

Mi F. Colmán

















E você? Traz o legado de alguém da família que  socialmente falando nunca foi "alguém na vida?" Vale aquela receita de bolo da avó.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Calem a boca, nordestinos!





























Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste! Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao  resto do país? Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à Literatura Brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!


E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano. Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.


Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura… Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner… E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melodias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…


Ah! Nordestinos…


Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?


Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!


Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”


Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos.







E nem deve!

Texto escrito pelo notívago José Barbosa Junior, na madrugada de 03 de novembro de 2010.






















Minhas colocações 

Hoje, no Dia Oficial do Nordestino, não pude deixar de registrar aqui no meu blog minha homenagem a essa gente que desde a infância aprendi a admirar e a amar tanto.
Não postei um texto de minha autoria não por falta de vontade, mas por ter certeza que não conseguiria ser tão brilhante quanto o autor. A primeira vez que o li, em dezembro de 2013, fiquei encantada!
Os que já conhecem o texto, devem ter percebido que faltou alguns parágrafos e confesso que foi de propósito.
Sinto muito por isso, mas achei problemático alguns trechos falando pejorativamente do funk carioca. Não que eu curta, mas não posso fechar os olhos e negar que há pessoas nesse meio que estão empoderando mulheres de relacionamentos abusivos nas classes "menos privilegiadas" usando o... funk!
E muito menos me agradou, como residente de Mato Grosso do Sul, o autor ter reduzido o Estado ao sertanejo universitário reforçando o preconceito que sim, o Sul-Matogrossense (que já é discriminado muitas vezes até pelo nome, como se não existisse e Mato Grosso ainda não tivesse sido dividido) sofre e muito. 
Aqui também há grandes talentos como Almir Sater e o incrível Manoel de Barros, que é o autor que, com sua simplicidade em ver a beleza da vida nas pequenas coisas, foi tão importante em minha infância e formação. Graças a ele adquiri uma visão de mundo diferente de grande parte das pessoas mais "elitistas" e "urbanistas", mesmo sendo criada em Curitiba.
Não quero que encarem a retirada destes trechos como um desrespeito, muito pelo contrário.
O respeito é para todos.
Mas o dia de hoje é exclusivamente para vocês nordestinos!
O dia de hoje é SEU Lilly Silva, Tina Bau Couto, Pandora e outras blogueiras dessa região LINDA, que um dia hei de conhecer, que são minhas colegas, amigas de blog e talvez desconheça sua região de origem.
Meus sinceros parabéns a todos os painhos, mainhas e pessoas do Nordeste em geral!
Sua cultura só tem um intuito: nos enriquecer cada vez mais!
Todo o meu carinho e respeito a este povo criativo, talentoso e acima de tudo, de um coração do tamanho do mundo! Como a minha nova amiga Escura
Maria Clara, a minha querida Escurinha, a qual já tenho enorme apreço.
Finalizando o texto quase sem palavras... Deixo o vídeo da canção que ouvia quando criança, junto aos meus pais, os quais sempre foram grandes admiradores da cultura musical nordestina, me oferecendo um conhecimento ímpar. Emocionada (de verdade, sem demagogia) faço minhas as palavras da canção...

"Minha vida é andar por este país, para ver se um dia descanso feliz..."


Mi F. Colmán


Nota: Galereee... Eu não desisti de vocês não e também não estou procrastinando! Saí de vez dos braços do macaquinho da gratificação da Ana Paula, huahuahauahau! É a correria mesmo na reta final para o Enem. Mas vou dando meu jeito por aqui, como podem ver. Agradeço a compreensão de todos. Vocês são super importantes, SEMPRE. Que isso fique muito claro.
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"Enquanto eu estiver por aqui e me for possível, escrever continuará sendo a medicação mais forte e a terapia mais eficaz para a minha sobrevivência". Mi F. Colmán

Quem ri por último, Rivotril

Quem ri por último, Rivotril
Mais um Rivotril. O restinho dos ratos gritando somem. O restinho das pombas macabras somem. O restinho dos corvos somem. Todos para longe. Lá vai a mulher que assusta. Tati Bernardi.