06/05/2015

Flores e Intenções























Vanessa desceu no ponto de ônibus e não podia acreditar no que via.
- Flor, Bruno? Fala sério! Acha que compra mulher com uma flor? Vê se cresce, garoto!
Bruno não hesitou em retrucá-la:
- Estranho. Você vive vidas paralelas ou não está prestando atenção no que tenho em mãos. Não tenho apenas uma flor, tenho uma flor pronta para ser mantida. Não é isso que postou em seu Instagram há uma semana atrás?
Vanessa encolheu a testa, surpresa e confusa.
-Sim! - ele continuou - Eu presto a atenção no que escreve, acompanho teu blog, o que posta no Instagram... E dias atrás postou que flores só tinham valor quando plantadas, pois assim elas seriam cultivadas e poderiam se manter vivas. E que do mesmo jeito era o amor.
- Não acredito que anda me espionando nas redes sociais!
- Não, não ando te "espionando". Eu te acompanho. Assim são as pessoas que gostam de ti. Elas vão querer saber sobre o que posta, sente, pensa...
Vanessa respirou fundo. Pouco convencida. Achava aquilo tudo tão sem criatividade, tão cafona, tão clichê...
Em poucos minutos ouviu a buzina de um carro.
Era Leonardo com seu carro do ano vermelho.
- E aí? Bora tomar uma cerveja? - colocou a cabeça para fora da janela, chamando-a.
Leonardo sim era homem. Já passara dos trinta e era decidido. Não precisava de nenhuma "arma" para conquistar uma mulher. Ele sabia que não precisava e isso encantava Vanessa, que não pensou duas vezes antes de entrar no veículo, sem ao menos se despedir de Bruno.
Depois de umas geladas, Leonardo a conduziu para um dos cantos do bar onde os casais se reuniam e tinha pouca iluminação. Sem hesitar, já mostrou a que veio, explorando com as mãos todo o corpo de Vanessa e beijando-a com força.
Após um certo esforço, Vanessa conseguiu afastar sua boca e segurar suas duas mãos.
- Hey, pega leve... Calma. - pediu com certa manha, para não demonstrar seu desagrado da pressa.
- Quem disse que eu sou calmo? - rebateu imitando sua voz manhosa.
Vanessa fechou a cara e afastou-se.
- Quem você pensa que é?
- Hey, até um tempinho atrás você foi bem rápida. Qual é? Vai amarelar agora? 
- Rápida? Qual é digo eu Leonardo! O que é que tu pensa? Que só porque uma mulher aceita tomar umas cervejas contigo ela já está querendo sexo? 
- Está querendo o que, então? Vem ao bar com homem para que, então? Rezar?
- Cala a boca, cara! Eu vou embora. E não! - afastou-o com um leve empurrão. - Eu arrumo um táxi.
Leonardo simplesmente deixou-a partir. 
Por que investiria em uma garotinha cheia de frescuras? Como ela, havia outras muito melhores que poderiam oferecer o que ela não podia.
Dentro do táxi, limpando as lágrimas do rosto para que o taxista não percebesse, Vanessa pensava em Bruno e na situação de Leonardo, perguntando-se quem era o moleque, afinal?
Quanto a Bruno, não derramou nem uma lágrima. Guardou o vaso de flor amarela para entregar à mãe no domingo do Dia das Mães.
Não desistira de comprar e entregar outro. Só não era ainda o momento.
Desistira apenas de Vanessa.




Este conto é uma participação da BC - Botando a Cabeça para Funcionar, edição nº 8, da amiga Chica do blog Chica Brinca de Poesia.
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I´m bleeding, quietly living I´m living, quietly bleeding - Dominik
 renata massa